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Veredito: inocente – Alimentação desregrada e sedentarismo nem sempre são os responsáveis pelos quilos extras.

28 julho 2010 65 views
Alimentação desregrada e sedentarismo nem sempre são os responsáveis pelos quilos extras. Algumas doenças interferem no metabolismo e fazem os números da balança disparar. Sabendo reconhecer os distúrbios que ameaçam suas curvas — e iniciando quanto antes o tratamento certo —, será mais fácil fazer as pazes com o espelho
Hipotireoidismo Quando sua tireoide trabalha em câmera lenta, seu peso pode ir às alturas. Afinal, essa glândula em formato de borboleta, localizada na parte anterior do pescoço, é justamente quem controla a queima de gorduras. Mais frequente em mulheres, o hipotireoidismo atinge 10% da população.> CAUSA A principal é a tireoidite de Hashimoto, doença em que o sistema de defesa produz anticorpos que destroem a pobre glândula. “Ela acontece por predisposição genética, mas pesam também fatores hormonais e stress, além de ingestão excessiva de sal e de remédios para emagrecer contendo hormônio da tireoide”, diz a endocrinologista Laura Ward, vice-presidente do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

> SINTOMAS Queda de cabelo, pele seca, rouquidão, cansaço, sonolência, desânimo, lentidão no raciocínio, intestino preso, menstruação irregular, perda de libido, dores articulares, redução da memória e ganho de peso.

>> TRATAMENTO O diagnóstico é feito com base na dosagem dos níveis de TSH, produzido pela hipófise para estimular a tireoide, além dos produtos da própria glândula, o T3 e o T4, no sangue. A reposição do hormônio é indicada mesmo se o exame acusar discreta alteração ou na presença de sintomas leves, especialmente durante a gravidez.

Síndrome do Ovário Policístico Ovários cheios de cistos têm relação direta com a resistência à insulina. Por defeito do órgão ou reação à insulina, o ovário passa a produzir mais hormônios femininos e masculinos. O resultado é que diversos cistos se formam, bem além do que se espera num ciclo menstrual normal. E, para desgosto de quem quer voltar a entrar no velho jeans, o apetite aumenta. A síndrome do ovário policístico afeta até 10% das mulheres na idade reprodutiva. Em geral as pacientes são obesas, mais sujeitas ao diabetes e correm sete vezes mais risco de sofrer um infarto.

>> CAUSA Estudos apontam tendência genética e deficiências do ovário. O ganho de peso agrava o quadro.

> SINTOMAS Infertilidade, falhas na ovulação, períodos longos sem menstruar (até seis meses), cistos em ambos os ovários (vistos no ultrassom), acne, pelos em regiões incomuns nas mulheres, gordura abdominal e manchas escuras, como sujeira, embaixo do braço.

>> TRATAMENTO Foca no que incomodar mais. Se for a ausência de menstruação, hormônios femininos; caso seja o excesso de pelos, drogas antagonistas dos hormônios masculinos; se o ganho de peso, a metformina. Perder 7% do peso já recupera a fertilidade, conforme dados do Fertility Fitness Program, da Austrália.

Síndrome de Cushing Decorre da quantidade excessiva de cortisol no sangue. Em níveis normais, a substância ajuda a converter gordura, carboidratos e proteínas em energia e colabora para manter a pressão arterial e o sistema imunológico de prontidão. Mas em excesso produz estragos, entre eles ativar a enzima lipase-lipoproteica, que aumenta o reservatório de gordura, e justamente do tipo mais perigoso, a que se concentra entre as vísceras e eleva o risco de infartos e derrames.

> CAUSA Produção exagerada de cortisol pela glândula suprarrenal por estímulo da hipófise ou devido a algum problema local. Por trás das duas situações talvez esteja um tumor. O mais comum, no entanto, é que a condição seja provocada pelo uso prolongado de remédio à base de cortisona em altas doses. A síndrome surge em metade dos usuários crônicos desses fármacos. “Às vezes até um spray para desobstruir o nariz induz o quadro”, explica Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

> SINTOMAS A gordura se concentra no tronco e no pescoço. O rosto arredonda e a pele afina. Aparecem estrias na barriga e nos braços, há perda de músculos e fragilidade óssea, além de cansaço, irritação, queda de cabelo, alterações menstruais, espinhas e aumento dos pelos.

>> TRATAMENTO Depende da causa. Se o médico suspeitar de remédio, orienta a redução da dose ou a retirada do produto. Em caso de tumor, ele deve ser removido por cirurgia. Já o diagnóstico é simples: basta uma dosagem de cortisol na saliva, no sangue ou na urina.

Síndrome metabólica Diabetes ou resistência à insulina, hipertensão, tendência para taxas de triglicérides elevadas e para índices baixos de HDL, o bom colesterol. Todos esses quadros estão interligados, “como se um mal levasse ou piorasse a situação de outro”, explica o endocrinologista Alfredo Halpern no livro A Nova Dieta dos Pontos (Ed. Abril, 186 págs., R$ 24,90). Descobriu-se que o elo entre todos os males é a gordura abdominal. Os pneuzinhos que saltam da cintura fabricam substâncias nocivas para as artérias, por isso essa gordura é altamente danosa para o coração. Uma vez que a síndrome se instala, a luta com a balança fica mais difícil.> CAUSA O vilão são os quilos extras. Comer demais, especialmente gordura, contribui para formar a barriga de chope, que aparece mais nos homens e nas mulheres após a menopausa. Mas as mais jovens não estão fora de perigo.

> SINTOMAS O mais visível é o aumento da cintura (a feminina deve ter até 80 cm). O resto é descoberto por exames: elevação da pressão arterial (ultrapassa 12 por 8), aumento de triglicérides (mais de 150), glicose acima de 100, HDL em baixa (inferior a 50), LDL, mau colesterol, em alta (a partir de 100).

>> TRATAMENTO Há medicamentos que variam conforme os distúrbios predominantes: se for colesterol alto, estatinas; no caso de hipertensão, diuréticos, betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio; contra diabetes, hipoglicemiantes orais, em especial a metformina. Só que o mais importante é praticar exercícios físicos e controlar a dieta, reduzindo o consumo de gorduras trans (sorvetes, batatas fritas, bolachas). Num estudo da Escola de Medicina Wake Forest, nos EUA, um grupo de macacos teve acesso a gorduras trans e outro a gorduras monoinsaturadas, como o azeite. Os animais do primeiro grupo engordaram 4% mais, e adivinhe onde. Na barriga.

Pré-diabetes O termo é utilizado quando as taxas de açúcar no sangue situam-se entre 100 e 126 mg por decilitro. Segundo a Federação Internacional de Diabetes, há no mundo 308 milhões de pessoas nessa condição. Elas estão a caminho de se tornarem diabéticas. Mas é possível evitar esse desfecho.

> CAUSA Está associada à resistência à insulina, hormônio essencial para que o açúcar da alimentação chegue às células. Embora seja sintetizada pelo pâncreas em altas doses, a insulina não age como deveria. Para compensar, a produção é ampliada. Não adianta. Até que o pâncreas, exausto, desiste e o diabetes se instala. A resistência à insulina é mais comum em pessoas acima do peso.

> SINTOMAS Em geral, o quadro é silencioso. Daí a importância de medir a taxa de açúcar no sangue. Mulheres que têm histórico de diabetes, manifestaram a doença na gravidez, estão obesas ou possuem ovário policístico devem ficar mais atentas.

>> TRATAMENTO As bases foram definidas pela Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos: reduzir o peso entre 5 e 10%, praticar exercício ao menos 30 minutos cinco dias por semana e seguir uma dieta pobre em gorduras e rica em fibras. Assim pode-se reverter alterações típicas do prédiabetes e derrubar em 51% o risco de ter o distúrbio. Se a pessoa não emagrecer, sua glicemia continuar alta ou ela apresentar outros fatores de risco para doença cardiovascular, talvez seja indicado algum remédio para diminuir as taxas de açúcar, como metformina ou acarbose.

Tensão Pré-Menstrual É comum, mas não tanto quanto se imagina. Pesquisas realizadas no Centro de Apoio à Mulher com TPM do Hospital das Clínicas de São Paulo verificaram que 50% das mulheres em idade fértil sentem sintomas leves que dispensam tratamento; 30% apresentam queixas moderadas; 5% sofrem um quadro que prejudica suas atividades diárias; e o restante, as felizardas, nem se dá conta. Na TPM, o ganho de peso pode ser transitório, pelo inchaço abdominal. Mas há risco de ganho permanente. Pode ocorrer queda nos níveis de serotonina, substância que regula o humor e a vontade de comer, sobretudo doce. Mesmo seguindo a dieta nos outros dias, nesse período você chuta o balde e acumula quilos que se somam mês a mês.

> CAUSA Hereditariedade, mudanças hormonais, alterações nos neurotransmissores (caso da serotonina), produção excessiva de prostaglandinas (substâncias liberadas durante inflamações) e retenção de água. O stress agrava ou desencadeia o quadro.

> SINTOMAS Há mais de 100, com um denominador comum: eles surgem de 15 dias a uma semana antes da menstruação e desaparecem até 48 horas após o início do sangramento. Os mais frequentes são irritabilidade, ansiedade, tensão, depressão, dor de cabeça, choro fácil, dor nas mamas, dor nas pernas, cólica e compulsão por doce.

>> TRATAMENTO Depende dos sintomas predominantes e de sua intensidade. Se forem leves ou moderados, exercícios físicos, dieta (cinco refeições menores em vez de três grandes; redução do café, do álcool e do sal), vitaminas (B6 e E) ou fitoterápicos (chás, óleo de prímula) podem dar conta do recado. Caso sejam mais intensos, recomendam-se analgésicos, anti-inflamatórios, antidepressivos (específicos para recaptação da serotonina), diuréticos e psicoterapia.